O que fazer se o seu filho ou a sua filha for vítima de bullying?

Será que o seu filho ou a sua filha é vítima de bullying por ser lésbica, gay, bissexual ou transgénero?

O bullying - um padrão de comportamentos intencionais e repetidos que infligem prejuízos ou desconforto, através de violência física, psicológica ou social de quem detém poder sobre outrem - é dos principais fatores de risco a que jovens LGBT ou com dúvidas estão sujeitos. Em Portugal sabe-se por exemplo que 4 em cada 10 jovens LGBT ou com dúvidas são vítimas de bullying nas escolas. Quando o motivo de haver bullying é a orientação sexual e identidade ou expressão de género estamos a falar de bullying homofóbico (contra pessoas homossexuais ou bissexuais) ou bullying transfóbico (contra pessoas transsexuais ou transgénero).

Enquanto pai ou mãe, deverá estar atento às diferentes formas de bullying homofóbico ou transfóbico que possam acontecer, como são por exemplo:
    Bullying físico - descreve todo um conjunto de comportamentos que visam ferir o outro, como agressões físicas (bater, pontapear, empurrar, socar), gestos obscenos (simular comportamentos que induzam ofensa), ameaças de agressão, roubos, destruição de pertences pessoais ou assédio;

    Bullying verbal - conjunto de agressões verbais ou boatos relacionados com a orientação sexual e identidade ou expressão de género, como adjetivos de carácter pejorativo, injurioso, intimidador ou ridicularizador;

    Bullying social - acontece quando quem perpetra o bullying (vulgarmente chamado de bully) humilha, intimida e/ou se envolve num esforço de exclusão ou segregação da vítima de bullying dos meios sociais a que este pertence (por exemplo, contar segredos em frente à vítima de bullying e rir-se desta);

    Cyberbullying - uma realidade cada vez mais ocorrente e que descreve todas as tentativas de humilhação, ameaças, boatos, gozo e difamação e outras formas de agressão que recorrem à internet (por exemplo em redes sociais como o facebook) e ao telemóvel (por exemplo através de mensagens escritas) para intimidar, oprimir e lesar propositadamente a pessoa vítima de bullying.

Enquanto pai ou mãe, a que sinais do/a meu/minha filho/a devo estar atento?
Seja ou não por motivos de orientação sexual e identidade ou expressão de género, ser vítima de bullying é vivido como algo angustiante. Essa angústia pode traduzir-se por diversos sinais, tais como:

    Baixa autoestima;
    Falta de confiança;
    Vergonha de si mesmo;
    Ansiedade e/ou depressão;
    Problemas de relacionamento;
    Fraco desempenho académico;
    Isolamento e/ou silenciamento;
    Ideação ou tentativas de suicídio;
    Desmotivação e/ou dificuldades ocupacionais;
    Alterações comportamentais (ex: falta de apetite; insónias).

Acho que o/a meu/minha filho/a é vítima de bullying. O que posso fazer?
Se revê o/a seu/sua filho/a nalgum destes pontos ou em vários, ou se simplesmente desconfia que pode estar a ser vítima de bullying, acima de tudo o fundamental é que se estabeleça um diálogo de compreensão e escuta ativa. Para muitos jovens é difícil contar que estão a ser vítimas de bullying, especialmente se este se relaciona com a sua orientação sexual e identidade ou expressão de género. O que estudos empíricos recomendam nestas situações é que, com o devido tempo e espaço para que o/a seu/sua filho/a sinta abertura para lhe revelar o que está acontecer, enquanto pai ou mãe deve:
    Não criar ideias pré-concebidas sobre a orientação sexual e identidade ou expressão de género do/a seu/sua filho/a, motivadas pelo conteúdo do bullying que lhe é dirigido;

    Certificar que se sente capaz de o respeitar e apoiar independentemente do que este lhe tem para dizer, e assegurar que o/a seu/sua filho/a sabe que conta com esse apoio;

    Criar um ambiente de confiança e segurança para que o jovem sinta a liberdade de falar abertamente sobre o que lhe está a acontecer e os seus sentimentos;

    Procurar contactar os órgãos responsáveis pela regulamentação de comportamentos e mediação de conflitos (por exemplo Conselho Diretivo de uma escola) ou as autoridades (como a PSP - Programa Escola Segura);

    Se se tratar de bullying homofóbico ou transfóbico procurar informação especializada sobre questões relacionadas com a orientação sexual e identidade ou expressão de género;

    Averiguar a necessidade de criar condições de acompanhamento do/a seu/sua filho/a em prol da sua integridade física (por exemplo, falar com docentes) e saúde mental (procurar acompanhamento psicológico);

    Procurar manter um papel ativo na comunidade local onde se insere o/a seu/sua filho/a de modo a promover políticas preventivas e de educação para a cidadania.